A LUTA NO FIM DO MUNDO

Maio 22, 2007

Duas semanas atrás, moradores do bairro Fim do Mundo em Cascais receberam um edital anunciando que as suas casas iam ser demolidas. Tinham um prazo de dez dias úteis para sair. Três casas iam ser deitadas abaixo : uma onde mora uma família de cinco pessoas, uma segunda onde mora uma mulher e uma terceira onde mora um homem. São casas que foram construídas pelas pessoas quando chegaram ao bairro há um ou dois anos. Têm baixos rendimentos e por isso não podem aceder ao mercado imobiliário. Pagam impostos como todos os cidadãos mas vêm violados os seus direitos os mais básicos como o direito aos serviços municipais (esgotos, recolha do lixo…)

Uma das casas ameaçadas pelas demolições - Fim do Mundo

A única solução que a câmara propôs foi que se juntassem a família e a mulher na mesma casa, ou seja, seis pessoas em duas assoalhadas, e assim poder demolir a segunda casa. Enquanto o homen, jardineiro em Carcavelos, só lhe mandaram sair sem dar-lhe outra proposta do que a rua.

No dia previsto para as demolições, os moradores estavam là para resistir mas não apareceu nenhum responsável da Câmara, nem polícia. De facto, sem avisar os moradores, a câmara tinha decidido mudar os seus planos, incomodada pela organização dos moradores e a presença da comunicação social.

Vinte moradores foram juntos até a Câmara de Cascais para exigir serem atendidos pelo vereador de habitação. Depois de uma negociação com a polícia, foi aceite uma audiência.

O vereador, perante dos moradores, assumiu o compromisso de que a Câmara não expulsará pessoas da sua casa sem articular um apoio com o INH (Instituto Nacional de Habitação) para permitir às pessoas pagarem um aluguer em função dos seus rendimentos.

Hoje, nenhuma casa foi demolida. Foi uma pequena vitória, um passo mais na luta dos moradores do Fim do Mundo, mas sabemos que os apoios continuam incertos, pontuais e esporádicos. Sabemos também que os homens que trabalham e que moram sozinhos ficam sempre discriminados.

Para se juntar as acções de resistência, podem entrar em contacto connosco :

direito.a.habitacao@gmail.com

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